22 octobre 2011

Viver neste mundo!

Viver em sociedade está cada vez mais difícil e desgastante, me parece que nós, seres humanos, nos esquecemos de um pacto antigo que garantiu a nossa permanência no mundo, o conviver.
Nós, enquanto bicho, somos um tanto quanto desqualificados, nossos dentes, unhas, pele, visão, audição e olfato, são bastante ruins se comparados a outros animais. Mas por vivermos juntos, conseguimos resistir enquanto espécie e, supostamente, também enquanto indivíduos. Mas esta sobrevivência tem se encaminhado para sua derrocada.
O desrespeito virou regra, o medo nos lembra constantemente que nosso semelhante é uma ameaça, a violência virou rotina, a desigualdade social nos diz que nossos direitos não são iguais, nossos deveres também não. Portanto, temos que viver a partir de leis toscas de sobrevivência.
Outro dia, ao sair do meu consultório, fui interrompida por uma mulher que me pediu uma informação, ela me contou que o ônibus elétrico em que estava havia dado curto, e não sabia que outro ônibus tomar para chegar até o Museu do Ipiranga. Eu lhe informei onde ficava o ponto e disse a ela para esperar ali, pois o ônibus que lhe conduziria ao seu destino costumava demorar. Porém, quando entrei em meu carro, me dei conta de que não era neste mundo que eu gostaria de viver, e sim em um mundo em que os ônibus não demorassem tanto e as pessoas pudessem se ajudar mais. Foi então que resolvi que bastaria dar uma carona para aquela mulher. Pelo menos naquele momento eu conseguiria viver no mundo que eu gostaria, e foi o que fiz.Devo confessar que a mulher ficou bastante espantada com a minha atitude e me agradeceu muito. Disse, sinceramente, que não precisava, porque afinal de contas eu estava fazendo aquilo egoisticamente, ao fazê-lo eu estava vivendo no mundo que eu almejava. Há certas ocasiões em que precisamos de gestos muito pequenos para termos instantes de grande realização.

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